segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Mulheres são maioria entre novos empreendedores

As mulheres estão em maior número nos setores de comércio, indústria e serviços
Empreender é transformar, gerar movimento. Quem abre uma empresa cria produtos, estabelece novos relacionamentos com fornecedores e colaboradores, gera emprego e renda e se esforça para atender à demanda de clientes cada vez mais atentos e exigentes. Nesse cenário de constante desenvolvimento, a liderança feminina tem ganhado cada vez mais força no mercado.

As mulheres têm aumentado sua representatividade e inovado nas formas de trabalho. Com elas, surgem também novos desafios e oportunidades para serem exploradas nos negócios. Na mesma medida em que as empreendedoras contribuem para o desenvolvimento do país, elas também investem na educação de suas famílias e, assim, possibilitam o crescimento de mais pessoas. O empreendedorismo feminino tem toda essa força. E é também expressivo em termos numéricos.

Diante de tantos desafios, se sobressaem aquelas que não se conformam com a imposição ainda arcaria da sociedade em que muitas mulheres ainda são submissas. A empresária 
Geisa Behnen, hoje proprietária de todas as lojas da franquia Óticas Carol, em Goiânia e região. Mas essa veia para negócios veio da herança de uma educação empreendedora da mãe, em um tempo em que a mulher era criada para ser dona de casa e cuidar de filhos.

“Venho de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, chamada de Carazinho. Meu pai tinha uma fabrica de vimes (móveis) e minha mãe sempre foi muito empreendedora. Ela tinha uma salão, vendia roupas, vendia os móveis do meu pai, mexia com politica, se virava”, conta ela.

Aos 15 anos ela sentiu que aquela cidade não lhe pertencia mais e eu tomou a decisão de sair de lá e ir para uma cidade próxima chamada Ijui. Lá abriu seu primeiro negócio, uma empresa de sistemas de segurança (alarme, câmeras e monitoramento).
“Por uns cinco anos permaneci no ramo. Ao final desses anos, fiz um curso de modelo e fui fazer um trabalho de recepcionista/promoter no show do Zezé Di Camargo e Luciano, nas Ruinas de São Miguel, foi quando me apaixonei pelo ramo de showbussines”, lembra.

Após esse show, começou a fazer produção de alguns eventos, e, em 2005 resolveu ir para Porto Alegre, local que abriu sua própria produtora que empresariava alguns artistas do estado, produzia grandes eventos, elaborava, captava e produzia projetos de leis de incentivos Federais e Estaduais. Em desses eventos, seu marido e sócio hoje, que na época estava empresariando o cantor/compositor Lenine, no Rio de Janeiro, e precisava de alguém para assumir o agenciamento/produção de um projeto da Vale.

“Foi então que larguei tudo no Rio Grande do Sul e fui para o Rio de Janeiro e assumi por cinco anos toda parte comercial e administrativa do escritório do Lenine. Por conta do tempo, desgastes e também pelos nossos filhos, resolvemos morar em Campinas e ficamos por dois anos. Abrimos nossa produtora que cuidava de gestão de carreira de vários artistas (Tulipa Ruiz, Fernanda Abreu, Paulo Miklos, Lenine, Junior Lima (projeto Manimal). Só que meu marido não aguentava mais o segmento e resolver sair fora do ramo. Um mês depois da decisão, nosso amigo/cumpadre nos chamou para conhecer o projeto Carol, nos apaixonamos com a ideia e resolvemos largar tudo e vir para Goiânia. Hoje temos mais 13 lojas entre a Capital e região”, destaca Geisa.

Dados
Os dados apontam que o empreendedorismo tem despertado mais interesse das mulheres. A proporção de “Empreendedores Novos” - os que têm um negócio com menos de 3,5 anos - é maior entre elas: 15,4% contra 12,6% de homens. O estudo constatou ainda que as representantes do sexo feminino empreendem movidas principalmente pela necessidade de ter outra fonte de renda, ou de adquirir independência financeira.

Um relatório divulgado este ano pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas aponta que em 2017 e 2018, a proporção de mulheres empreendedoras que sãochefes de domicíliopassou de 38% para 45%. A atividade empreendedora passou a conferir às empresárias posição de protagonismo quanto à renda da casa. O percentual de mulheres na condição de cônjuge (quando a principal renda familiar provém do marido) caiu de 49% para 41% nos últimos anos, segundo o relatório.

As análises feitas pelo Sebrae mostram que as mulheres empreendedoras são mais jovens e têm um nível de escolaridade 16% superior ao dos homens. Entretanto, elas continuam ganhando 22% menos que os empresários, uma situação que vem se repetindo desde 2015, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2018, os donos de negócio do sexo masculino tiveram um rendimento mensal médio de R$ 2.344, enquanto que o rendimento das mulheres ficou em R$ 1.831.