segunda-feira, 20 de março de 2017

A balança engana

Nutricionista explica porque focar na perda de peso não é uma boa estratégia de emagrecimento
Perder peso é um dos objetivos mais frequentes entre os que desejam fazer mudanças no estilo de vida, como sair do sedentarismo e se alimentar melhor. O que muitas pessoas confundem é que eliminar alguns quilos não é sinônimo de emagrecer. “Um indivíduo pode ter pouco volume e aparentar ser magro, mas ter um elevado percentual de gordura e estar, de fato, em um quadro de obesidade”, alerta o nutricionista Daniel Novais. Sozinha, a balança pode enganar muito e não refletir os ganhos reais, tanto em saúde quanto em beleza.

Um dos parâmetros mais importantes é a gordura corporal.
“Às vezes, a pessoa está se esforçando para praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada, mas desiste depois de ver que o número na balança permanece o mesmo. Na realidade, ela pode estar tendo ótimos resultados, perdendo quilos de gordura e ganhando quilos de músculos”, observa. “A gordura é mais leve e volumosa, ocupa mais espaço, enquanto o músculo é denso e compacto. Por isso, uma pessoa pode perder medidas, ir para um manequim menor, e continuar com o mesmo peso”, detalha o especialista. “Por outro lado, uma pessoa pode estar satisfeita porque teve uma perda de peso significativa, mas ter tido uma grande perda de massa magra, o que geralmente provoca flacidez, uma consequência negativa”, compara Daniel.

Alguns sinais de que o emagrecimento está no caminho certo é aquela folguinha extra nas roupas e a melhora na disposição. Porém, para ter uma avaliação mais precisa, é necessário o acompanhamento de um profissional, que vai considerar diferentes exames. Duas técnicas bastante usadas são a bioimpedância (uma balança que emite um sinal elétrico pelo corpo e, pelo tempo que ele demora a voltar, calcula a porcentagem da massa magra, estrutura óssea e outros componentes) e o adipômetro, uma grande pinça utilizada para tirar medidas.

Uma vantagem desse segundo método é que ele identifica não só quantidades, mas também a localização.
“A gordura na região abdominal é umas das mais nocivas, porque aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Mesmo que a pessoa tenha um peso considerado saudável, se ela tiver excesso de gordura nessa região é melhor que ela busque emagrecer”, orienta Daniel. “Mas também é preciso ter cuidado para não cair na lógica de ‘quanto menos gordura melhor’. Em níveis muito baixos, podem começar a surgir dificuldades na produção de hormônios e na absorção de vitaminas, entre outros problemas”, afirma.

Outros índices importantes para acompanhar são a glicemia (muito elevada pode levar a predisposição ao diabetes) e o colesterol (em excesso pode entupir vasos sanguíneos). Não há razão para se obcecar com a balança. É um erro se pesar todos os dias e comemorar cada grama perdido ou se desesperar com pequenos ganhos.
“Existem as flutuações normais no peso, por exemplo, devido a retenção de líquidos, constipação intestinal, variações hormonais do ciclo menstrual e as refeições feitas no dia anterior. Uma única refeição mais generosa não vai gerar ganhos permanentes”, explica o nutricionista Daniel Novais.

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