segunda-feira, 11 de julho de 2016

Curta brasiliense sobre trans que derrubar paradigmas

Curta brasiliense sobre trans que derrubar paradigmas
Uma mulher transgênera em processo de transição conhece um homem em uma parada de ônibus. Após criar intimidade, o que ela acreditava ser o início de um relacionamento, se tornou um pesadelo: a personagem acaba sendo violentada pelo rapaz quando ele descobre a condição, momentos antes da tão esperada primeira relação.
Essa é a história contada no curta-metragem “Transa”, que foi lançado no Cine Brasília no dia 29 de maio.

O filme retrata a história de uma trans e as dificuldades enfrentadas no cotidiano, assim como os preconceitos vividos por pessoas nessa condição e o que fazem para tentar superar. Produzido na capital federal, o curta tem como um de seus objetivos principais desconstruir paradigmas relacionados à questão de gênero. Apesar da violência sofrida, a personagem segue em uma luta para superar o ocorrido, buscando apoio no carinho e respeito das pessoas mais próximas.

De acordo com o produtor e roteirista da obra, Hugo Lins, o filme busca mostrar ao expectador a realidade de um transgênero e promover reflexões acerca do tema: “O filme tinha e tem como princípio básico a reflexão sobre um caso de paixão casual que termina em um ato de violência contra uma mulher trans. Acredito que dando mais visibilidade e protagonismo às pessoas trans, o público pode refletir e pesquisar mais sobre a identidade de gênero e, perceber através da personagem, que a pessoa trans é alguém absolutamente normal e comum, como todas as outras – um ser humano.

Segundo Lins, o Brasil é o país onde mais se pesquisa conteúdo pornográfico de teor transgênero, e também, o que mais mata pessoas trans. Ele afirma que o tema precisa ser mais retratado e debatido, a fim de que as pessoas passem a compreender e respeitar o universo retratado na obra. Ainda segundo o produtor, diversas dificuldades foram enfrentadas durante a produção do curta que não contou com recursos financeiros externos: “Sofremos demais com a transfobia durante a produção. Muitas vezes, pessoas na rua gritavam frases de violência ou chacota ao ver a personagem exposta. E o pior, pessoas que antes tinham interesse em apoiar o filme, por vários motivos, desistiam ao saber da condição do gênero da nossa protagonista. Por exemplo: precisávamos de uma loja para que nossa personagem fizesse uma cena trabalhando. Inicialmente, dois estabelecimentos aceitaram colaborar, mas ao saber que a mulher do filme era uma trans, negaram a ajuda.”

O filme contou com uma equipe voluntária de diversas cidades do Distrito Federal e entorno, como Gama, Valparaíso, Céu Azul, Ceilândia, Samambaia e Guará. Segundo Lins, essa foi uma das maiores dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento do trabalho e a razão para a demora de um ano na captação de todas as imagens, pois constantemente havia indisponibilidade por parte do grupo. A pós-produção também foi trabalhosa, uma vez que, por não contarem com recursos financeiros externos, os altos valores cobrados nessa etapa não poderiam ser pagos. A finalização do projeto só foi possível graças a colaboração de profissionais que, sensibilizados com o tema, cobraram mais barato.

O mercado de filmes independentes em Brasília cresceu exponencialmente nos últimos anos. Entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer. Apesar de bons filmes desenvolvidos nos últimos tempos por jovens de cidades como Ceilândia, Gama e Planaltina, falta incentivo por parte do governo e o desenvolvimento de estratégias públicas de inclusão relacionadas ao tema.

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