sexta-feira, 6 de junho de 2014

Lola Benvenutti, a moça das letras e do sexo pago

Ela estudou literatura, faz pós-graduação e traz no corpo tatuagens com frases de grandes escritores brasileiros. Escreve críticas literárias, mas sua profissão principal é outra: “Sou puta”, diz
O garçom do bar no Baixo Augusta, em São Paulo, estava plantado ao lado dela, atento a cada palavra. Tímido, pediu desculpas ao interromper a conversa quando ela falava de fetiches. Na mesa ao lado, homens sóbrios de terno e gravata olhavam as pernas nuas de Lola Benvenutti. O rabo de cavalo e o short curto exibiam a juventude dos seus 22 anos. As palavras denotavam a experiência.

Garota de programa desde quando cursava letras na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo, Lola poderia ser a Lolita de Nabokov, uma amante de Bukowski, ou personagem de Almodóvar, ou ainda Diadorim vestida de jagunço em Grande Sertão: Veredas. É uma leitora compulsiva e abriga ao mesmo tempo a delicadeza e o impulso dominador da sadomasoquista.