quarta-feira, 28 de maio de 2014

Com exposição inédita “Tramas de Arte”, IV Feira de Artesanato, Bordados e Renda – Renda-se será lançada oficialmente no Brasília Shopping

Um olhar sobre o rico artesanato brasileiro com todos os seus matizes, exclusividade e originalidade. Será aberta amanhã, dia 29 de maio, às 19h, no Brasília Shopping, “Tramas de Arte”, exposição inédita que reúne trabalhos artesanais das cinco regiões brasileiras, muitos premiados com o selo Top 100 de Artesanato Sebrae (que reconhece os melhores da atividade no País) e preciosidades que integram coleções particulares cedidas especialmente para a mostra, que permanece em cartaz até o dia 8 de maio.


Os trabalhos expostos têm curadoria da jornalista e consultora de moda e estilo Cristina Franco. A exposição é um convite especial para a 4ª Feira de Artesanato, Bordados e Renda – Renda-se, um tradicional evento no mês da Copa do Mundo que acontece de 12 a 15 de junho, no Pontão do Lago Sul, em Brasília.

A exposição “Tramas de Arte” surpreenderá os brasilienses com a delicadeza das peças produzidas de Norte a Sul do Brasil. A mostra é uma verdadeira coletânea de artigos, cores, técnicas e inspirações que tecem a história da arte popular brasileira e apresenta peças únicas como um casaco produzido pela Lã Pura do Rio Grande do Sul com curadoria do estilista Ronaldo Fraga e pertencente a uma colecionadora que o cedeu somente para esta exposição do Brasília Shopping.

A mostra é composta por peças cuidadosamente selecionadas que revelam o artesanato brasileiro em sua forma mais original. Expostos no 1º piso do Brasília Shopping, os trabalhos refletem influências europeias, africanas e indígenas. Cristina Franco detalha que o Norte e o Nordeste marcam forte presença. O bordado “Filé de Alagoas”, por exemplo, é uma das peças que chamam a atenção de brasileiros e estrangeiros que visitam o estado. 
“Com linguagens africanas, mais especificamente da África Ocidental, o trabalho exposto na mostra é autoral, de uma artesã de extremo bom gosto”, relata. A curadora também destaca que a matriz africana estará presente ainda em obras vindas diretamente da Bahia, é o caso do bordado Richelieu e das panelas de barro, ligadas à gastronomia baiana e africana.

Pernambuco e Goiás abrem alas com trabalhos em patchwork e o Ceará esboça suas raízes com a renda labirinto. 
“Neste caso em especial, teremos uma desconstrução do labirinto em uma linguagem sofisticada desta tipologia criada por uma arquiteta de Fortaleza”, revela Cristina.

A chita, que no Brasil é exuberante e colorida, estará na exposição do Brasília Shopping com um trabalho feito no sudeste. Cristina conta que, recentemente, teve acesso a um livro sobre a história do tecido e, por incrível que pareça, ele é um produto da globalização no Século XVI.
“A chita tinha linguagem distinta da que conhecemos no Brasil. Existe um núcleo no Rio de Janeiro que produz um rebordado de chitão com ponto russo, tipo de ponto importado das áreas asiáticas, onde a tapeçaria é muito rica".

A exposição traz de Belém do Pará as biojoias, peças que mostram a diversidade tanto de material quanto da linguagem, baseada na arte marajoara e na estética dos senhores da borracha. 
“A mostra do Brasília Shopping reflete com exatidão uma infinidade de situações e historicidade para que possamos, a cada dia, valorizar mais nossas raízes”, conclui a curadora.


PEÇAS EXPOSTAS
1 - Casaco da década de 90 em cetim todo feito a mão lembrando bandeirinhas de São João e tendo em proporção bem grande das golas do caboclo de lança do Maracatu. Autor Eduardo Ferreira. Pernambuco.

2 – Vaso. Cerâmica da Serra da Capivara, no Piauí, inspirado nas figuras rupestres da do principal sítio arqueológico do Brasil. O azul é uma cor que se encontra no interior das cavernas. Peça sempre premiada no top 100 do Sebrae, o Oscar do artesanato brasileiro.

3 – Colar e bracelete em madeira e prata escovada. Integra projeto que une diversos expertises do estado do Pará, onde trabalham artesãos, designers e ourives. O grafismo é inspirado nos Assurini. Criação de Marcilene Rodrigues. Trabalho em madeira do mestre Eugênio.

4 - Cuias com desenhos Marajoara. Esse tipo de trabalho é encontrado no centro da ilha do Marajó, no Pará. Trabalho do mestre Izaias Lopes.

5 – Peça do Lãpura, grupo do Rio Grande do Sul que reúne várias cidades. O casaco é uma das primeiras coleções que tiveram intervenção de um designer. O casaco exposto teve curadoria do estilista Ronaldo fraga.

6 - Trabalho em patchwork realizado em Pernambuco pela Traça, um grupo de mulheres de Recife, com coordenação e direção de criação de Cristina Ribeiro. A logomarca da marca Traça foi feita por Ariano Suassuna. Está peça específica é inspirada nas matrizes indígenas e os tecidos foram criados e desenvolvidos por Maria Henriqueta Gomes, criadora da ANA - Arte Nativa Aplicada. Esses desenhos são dos kadiweu, índios do Mato Grosso do Sul.

7 - Peça em filé Casa de Noca. O filé é um bordado muito encontrado no estado de Alagoas. O trabalho acontece a partir do princípio da rede de pescadores. Após a criação do desenho, este recebe um bordado. Herança das nossas matrizes africanas da África ocidental. Autora Petrúcia Lopes.

8 - Colcha com trançado em matelassê da baiana Goya Lopes, uma das mais importantes designers que trabalham com inspiração de matriz africana no Brasil. A peça Double face foi criada a partir da colcha.

9 - Roupa de batizado de origem européia, o mandrião é uma tradição cultivada entre os brasileiros. Uma pessoa da família era batizada com a peça, passada de geração a geração. Uma tradição muito forte no Nordeste do Brasil. Este mandrião vem do Ceará.

10 - Patchwork feito por uma designer da Bahia. A técnica é feita em jeans.

11 – Muito tradicional, o Richelieu é o bordado usado na roupa das senhoras na festa da Irmandade da Boa Morte, festa religiosa tradicional na cidade de Cachoeira, na Bahia.

12 - Tear manual feito na cidade de Monte Alegre, na Bahia.

13 – Echarpe da marca Tissume, feito com resíduos de seda. Produzido em tear manual na cidade Pirenópolis, em Goiás.

14 – Os caiapós eram grandes guerreiros indígenas do Pará. O projeto Menire, que em caiapós quer dizer mulher, mostra o lado suave desse povo. Os quadros são pintados pelas mulheres a partir dos grafismos da tribo. A indígena foi fotografada por outra indígena. O projeto é coordenado pela antropóloga Carmem Figueiredo.

15 - Técnica em bordado livre sobre chita e produzido na cidade de Campos, no estado do Rio de Janeiro, sob a coordenação de Angela Márcia.

16 - Colar feito no Pará por Bárbara Muller. Em madeira, prata e aplicação de chita.

17 - Bolero em renda Renascença da cidade Monteiro, no Cariri paraibano. A associação de rendeiras que produziu a peça já recebeu vários prêmios top 100 do Sebrae.

18 - Bilro de linha fina executado pela Associação das Rendeiras de Saubara, região do recôncavo baiano.

19 – O Frivolité da direita é executado em Pernambuco, com técnica de carretilha. O da esquerda, no Piauí, com técnica utilizando carretilha.

20 – Ovo Fabergé amazônico, criado pelo arquiteto e designer Ivan Silva. A peça tem trabalho em madeira de mestre Eugênio e ourivesaria em prata do mestre Assis. O Pará tem grande tradição religiosa católica.



Serviço:
Exposição “Tramas de Arte”
Data: 29 de maio (abertura) a 8 de junho
Horário: 10h às 22h
Entrada Franca
Local: Brasília Shopping – 1º piso
Classificação indicativa: livre
Mais informações para o público:
Brasília Shopping – (61) 2109-2122
www.brasiliashopping.com.br

IV Feira de Artesanato, Bordados e Renda – Renda-se
Data: 12 a 15 de junho
Local: Pontão do Lago Sul
Horário: das 10h às 22h
www.artesanatoerendasecom.br
Entrada franca