quarta-feira, 16 de março de 2011

Centro Cultural Banco do Brasil apresenta “O Bosque”

O Centro Cultural Banco do Brasil - Brasília apresenta, de 14 de abril a 8 de maio, estreia nacional de “O Bosque”. O texto teatral inédito no Brasil é de autoria do norte-americano David Mamet, um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos vivos.
 
“O Bosque” é avaliado pela crítica como um dos resultados mais altos da obra de Mamet, enquadrado dentro do estilo “new realist”  americano. A linguagem naturalista, seu contexto e seus diálogos, são habilmente construídos pelo autor sobre uma intrigante rede de símbolos e metáforas escondidas atrás de ações e palavras minimalistas, frases interrompidas, inquietações e atmosferas “Tcheckovianas”.
 
A peça gira em torno da relação entre Ruth e Nick, um jovem casal, de 25 - 30 anos, de férias por um fim de semana, numa casa no campo, em frente a um lago. Um casal no ápice de uma relação de recente descoberta, que de alguma maneira se põe à prova nessa viagem, longe da cidade. A cena transcorre na varanda da casa de campo de Nick, um ambiente silenciosamente povoado pela natureza, onde Nick passava suas férias quando criança.
 
A dicotomia e o contraste entre a vida na cidade e no campo, entre a noite e o dia, entre a verborragia e a dificuldade de  verdadeiramente se comunicar, entre os elementos masculino e feminino, serão refletidas no cenário, na iluminação e na trilha sonora que preenchem e dão densidade ao espaço.
 
A equipe reunida no projeto é formada por jovens profissionais que se destacam no cenário nacional das artes cênicas, pela dedicação à pesquisa e realizações de projetos que exploram o diálogo entre linguagens artísticas e a dramaturgia contemporânea, desde o início dos anos 2000.
 
A direção de “O Bosque” é de Alvise Camozzi (indicado em 2009 ao prêmio Bravo!) e o elenco é composto por Bruno Kott e Cristine Perón, jovens atores com experiências relevantes em teatro, cinema e televisão. A equipe artística se completa com profissionais premiados no campo das artes: o cenógrafo William Zarella Jr. (prêmio Cannes - publicidade), o iluminador Guilherme Bonfanti (prêmios Shell e APCA) e a figurinista Marina Reis (prêmios FEMSA e Avon Colors).
 
A produção é de Rachel Brumana, produtora e curadora responsável por espetáculos e exposições que receberam 8 indicações aos mais importantes prêmios nacionais nos últimos 3 anos.
 
O Bosque estará em cartaz no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de quinta a domingo (vide serviço). Serão realizadas 17 apresentações do espetáculo no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília. A peça também será apresentada, posteriormente, no CCBB São Paulo e Rio de Janeiro.
 
 
Sobre o autor e a peça
A importância da obra de David Mamet para a literatura, o teatro e o cinema, confunde-se com a própria genealogia da dramaturgia dos nossos dias e dialoga, de forma contundente, com o mundo contemporâneo.
 
Escrito em 1979, o argumento do texto “O Bosque” parte da relação e do conflito entre dois personagens de 25 a 30 anos, diante da evidente incapacidade de comunicação entre eles e deles com o mundo.
 
O tema, de uma atualidade desconcertante, quase premonitória, se manifesta como um espelho generacional, uma reflexão que caberia perfeitamente aos jovens adultos de hoje, a chamada “geração Y”, a primeira que já nasceu comunicando-se por meios eletrônicos, dos quais a internet é a máxima síntese, até mesmo dilatadora dessa problemática. É surpreendente que um texto do final dos anos 70, quando os protagonistas desta montagem brasileira e boa parte do público que a verá ainda não haviam nascido, antecipe tantas questões e dilemas contemporâneos, quase como um raio-x da psique da juventude de hoje.
 
As numerosas camadas de leitura do texto evidenciam a necessidade humana de produzir palavras com as quais se afirmar, se identificar e agir, a paixão e a energia que nunca se traduzem na real capacidade de se entender, a relação de atração e repulsa pelo ambiente circunstante, pela natureza, um movimento fechado num ciclo conclusivo e na procura vã de um sentido para existência.
 
Mamet é um cultuado artista poliédrico (além de dramaturgo e roteirista é também ator, diretor, romancista, ensaísta e blogger) e é, sem dúvida, um dos autores mais prolíficos e ecléticos da atualidade, celebrado e discutido por público e crítica dentro e fora dos Estados Unidos.
 
No teatro, Mamet se distingue por um estilo peculiar em que a construção dos diálogos é o ponto mais forte, situando-se entre os grandes do século passado e um dos maiores artistas do teatro contemporâneo.
 
Embora sua vasta produção seja base para importantes montagens em todo o mundo, é ainda pouco encenado no Brasil. “Edmond”, "Perversidade Sexual em Chicago" e “Oleanna” foram as poucas encenações de que se tem notícia nos palcos nacionais, o que ainda não faz jus à vastidão de sua produção teatral, sendo ainda muito mais conhecido no país por seus roteiros e direções cinematográficas.
 
Desse modo, situando-se o Banco do Brasil, por meio de seus Centros Culturais, como um dos maiores fomentadores do diálogo da produção brasileira com a dramaturgia contemporânea internacional, a montagem desse texto inédito condiz com a linha curatorial adotada pela instituição e une-se ao seu objetivo de alinhar-se à vanguarda do teatro mundial e difundir, ao público mais amplo possível, de forma acessível, direta e concreta, os novos caminhos das artes cênicas no Brasil.  
 
Sobre a Equipe

Alvise Camozzi - Iniciou-se na carreira de ator em Veneza, com a companhia de comédia Dell´arte a l´Avogaria. Formou-se pela Escola de Arte Dramática Paolo Grassi em Milão, onde trabalhou em diversas produções como ator e diretor até sua vinda ao Brasil, em 2001. Em São Paulo, alterna seu trabalho de ator com a direção de espetáculos e música. Encenou alguns textos contemporâneos inéditos como A noite de Molly Bloom, de J.S.Sinisterra (2003) e Bar, de Spiro Scimone (2005). Dirigiu a Ópera de Rua Honestamente (2005), baseado em contos de Monteiro Lobato, e a ópera  Rossini Hits (2007), entre outras peças e leituras. Como ator, foi dirigido por Gabriel Villela, Elcio Nogueira Seixas, Mauricio Paroni de Castro e Marcus Alvisi e Diogo Vilela.  Em 2009 dirige a peça “Só”, SESC/São Paulo, indicada ao Prêmio Bravo! de melhor espetáculo nacional e vencedora do Prêmio Shell de melhor ator para João Miguel. Em 2010, encena “Babel”, texto inédito no Brasil da mesma dramaturga de “Só”, a italiana Letizia Russo. Na TV Cultura foi protagonista e corroteirista do telefilme O Louco do viaduto, de Eliane Caffè. Escreveu e dirigiu os infantis “Yuuki!!! O pequeno Samurai” e “O Astronauta”.

Rachel Brumana
- Formada em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP em 1998 e em língua e literatura italiana pela Università di Firenze em 2000. Especializou-se em teatro na Scuola Europea per l’Arte dell’Attore com o dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra. Desde 2003 atua como produtora cultural. Entre 2003 e 2005, foi assessora cultural do Istituto Italiano di Cultura de São Paulo. Colaborou com a Fondazione Pontedera Teatro no projeto Casa Laboratório. De 2005 a 2008 foi coordenadora de eventos do Istituto Europeu di Design. Em 2008 esteve à frente da concepção, curadoria e produção de projetos como a mostra “Kasato Maru - Permanência no Olhar”, o espetáculo “Yuuki!!! - O pequeno Samurai”, o ciclo de leituras dramáticas Itália em Pedaços, o espetáculo “Só” de Letizia Russo, com direção de Alvise Camozzi, indicado aos prêmios Bravo! e Guia da Folha de melhor espetáculo de 2009, Shell e Contigo! de melhor ator e Shell de Iluminação, vencedor do Shell de melhor ator.

Bruno Kott - Ator formado pela Escola Carmina em 2003. Atua no teatro e televisão. No teatro, dirigido por Alvise Camozzi, participou de ”Phoebe”, inspirado na obra “Sangue no Pescoço do Gato” de  R.W. Fassbinder (TBC, 2003), “Bar” de Spiro Scimone, (Instituto Cultural Capobianco, 2005) e  “Yuuki!!! O pequeno samurai” (SESI e SESC, São Paulo e interior, 2008/09). Junto à Cia Atelier de Manufactura Suspeita participa dos espetáculos “Farsas Libertinas”, “O Engenho da Loucura” (Teatro Crowne Plaza, 2004), “Pornografia Barata”, “Gigantes da Montanha”, “Antes” e “Vestir os Nus”  (Satyros, 2007 a 2009) de Luigi Pirandello, todos sob a direção de Mauricio Paroni de Castro. Participou das novelas “Metamophoses“ (2004) e “Cidadão Brasileiro” (2206) da Rede Record e “Cristal” (2006), do SBT. Atuou sob a direção de Walter Carvalho na Minissérie “Carandiru- Outras Histórias” exibida pela Rede Globo (2005). Em 2007, protagonizou o especial “Vestígios”, sob a direção de Samir Yazbeck exibido pela TV Cultura.

Cristine Perón - Formada em Interpretação pela Carmina  Pró-Formação de Atores – São Paulo em 2004 e Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – São Paulo em 2008. Estudou Interpretação para cinema  com Fátima Toledo e Ivan Feijó, Interpretação para TV com Ignácio Coqueiro. Na TV, participou recentemente da minissérie “Maysa - Quando fala o coração” de Manoel Carlos com direção de Jayme Monjardim. Atuou nos espetáculos teatrais “Celebração”, de Harold Pinter com direção de Eric Lenate, apresentado no CCBB Brasília e ganhador do 13° Cultura Inglesa Festival, 2009, “Pornografia Barata”, de Andrés Lima, “Engenho da Loucura” com direção de Mauricio Paroni de Castro, de 2005 a 2008 em São Paulo, "Phoebe”de Rainer Werner Fassbinder, com direção de Alvise Camozzi, TBC, 2005, São Paulo. No cinema, participou dos longas “Primavera” de Carlos Porto e “Crime Delicado” de Beto Brant e de diversos curtas-metragens e campanhas publicitárias. 

Sobre a Produtora
 
Substância Produções ArtísticasA produtora da peça “O Bosque”, por meio de seus sócios fundadores, Alvise Camozzi e Rachel Brumana, tem mantido, desde suas origens, o compromisso artístico e estético de promover a tradução, produção e encenação de textos teatrais contemporâneos inéditos.
 
Fazem parte da trajetória dos artistas associados, desde 2003, a realização das montagens: “Phoebe”, de R. W. Fassbinder, “A noite de Molly Bloom”, de José Sanchis Sinisterra, “Bar”, de Spiro Scimone e “Só”, de Letizia Russo, encenados pela primeira vez no Brasil. O espetáculo “Só”, encenado em 2009, além do sucesso de público em sua temporada no SESC SP, foi considerado pela crítica como uma das mais relevantes montagens daquele ano, tendo concorrido a 5 prêmios  nacionais.
 
Além de ser um dos 3 finalistas do prêmio Bravo! de melhor espetáculo teatral do ano, sagrou-se vencedor do Prêmio Shell de melhor ator para João Miguel. Em 2010, a Substância produziu o espetáculo “Babel”, de Letizia Russo, e o espetáculo infantil “O Astronauta”.

FICHA TÉCNICA 
Autor: David Mamet
Direção: Alvise Camozzi
Elenco: Bruno Kott e Cristine Perón
Cenografia: William Zarella Jr.
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Tradução: Roberto Alvim e Júlia Novaes
Trilha sonora original: Martin Herraiz
Figurinos: Marina Reis
Fotografia: André Katopodis
Projeto gráfico: Erico Peretta
Assessoria de imprensa: Tato Comunicação e Marketing
Preparação corporal: Ricardo Neves
Assistente de direção: Rodrigo Fregnan
Assistente de Iluminação e operação de luz: Carlos Kobzev
Assistente de figurino: Veridiana Piovezan
Contrarregra: José Guilherme Lobarinhas Jr.
Assistente de produção: Rita Tatiana Cavassana
Administração: Daniele Correia
Produção local (Brasília): Mateus Andrade e Milca Luna
Direção de produção: Rachel Brumana
Concepção e produção: Substância Produções Artísticas
 
Serviço
O Bosque
de David Mamet
direção de Alvise Camozzi
Com Bruno Kott e Cristine Perón
 
Centro Cultural Banco do Brasil
SCES, Trecho 2 Conjunto 22
Teatro II - Inf. pelo telefone: (61) 3310-7087
Data: 14 de abril a 8 de maio de 2011
Horário: De 5a. a sáb. às 19h30; dom. às 18h30
Preço: R$ 15 (inteira) - R$ 7,50 (meia)
A venda antecipada de ingressos inicia-se no domingo, duas semanas antes da estreia espetáculo, restrita a quatro ingressos por pessoa.
Classificação Indicativa: ­16 anos